segunda-feira, 19 de novembro de 2012

LARANJEIRAS É CULTURA, ARQUITETURA E SINCRETISMO RELIGIOSO



Laranjeira, a 18 km de Aracaju, é um dos poucos municípios sergipanos em que se pode vê a força da arquitetura colonial. Ruas, casarios, igrejas; tudo respira a mais pura história. Laranjeiras já foi a mais importante cidade sergipana. Berço da cultura, da política e da economia, este município só não se tornou a capital de Sergipe por conta de uma manobra política do Barão de Maruim, que transferiu a sede de São Cristóvão para Aracaju.

Depois que as tropas de Cristóvão de Barros arrasaram a nações indígenas, por volta de 1530, muitos colonos acabaram se fixando às margens do Rio Cotinguiba. Essas terras pertenciam à freguesia de Nossa Senhora do Socorro. Naquela região, mais ou menos a uma légua da sede, foi construído um pequeno porto, e, por conta das inúmeras e frondosas laranjeiras à beira do rio, moradores e viajantes começaram a identificar o local como porto das laranjeiras.

 Muitos colonos acabaram se fixando às margens do Rio Cotinguiba. Essas terras pertenciam à freguesia de Nossa Senhora do Socorro.

Em Laranjeiras moram remanescentes de negros africanos trazidos para o trabalho escrevo na lavoura de cana-de-açúcar. Quando ai chegaram, os negros se estabeleceram no Vale de Cotinguiba. A produção local ganhou dinamismo, fez originar um porto e uma feira, dando margem à construção do centro urbano, onde o povo branco se estabeleceu, criando a cidade de Laranjeiras.

Laranjeira possui um povoado de nome Mussuca, que concentra a população remanescente dos negros. O povoado conta com mais de três mil habitantes, e sua economia gira em torno da plantação de mandioca, milho, cana-de-açúcar e da produção de cimento e uréia.

 Há duas versões para o nome do povoado: uma de estudiosos, que diz que Mussuca deriva do nome de um peixe chamado muçum; a outra diz que deriva de um mosquito existente na maré, chamado mutuca.
Mussuca se destaca ainda por concentrar quatro terreiros de candomblé. No terreiro de nome Centro Umbandista São Brás, há imagens de santos que também são encontradas na Igreja Católica, como São Lázaro e Nossa Senhora Aparecida. Segundo o pai-de-santo Marcelo, na Igreja Católica os santos fazem parte da história; na umbanda, santas, como Nossa Senhora Aparecida, fazem parte dos orixás - entre os iorubas e os ritos religiosos afro-brasileiros, como o Candomblé e a Umbanda.


Os terreiros são a ligação mais forte entre os negros e sua cultura. Na comunidade existem quatro terreiros.

Na sede da cidade de laranjeiras é possível visitar o Museu Afro-brasileiro. Rico em diversos aspectos, esse espaço cultural mostra a história dos negros entre os séculos XVIII e XIX. Entre os objetos expostos, encontram-se peças, como engenho de cana-de-açúcar, moinho, fazedor de algodão, tachos, carros de bois, utensílios domésticos, vestuários, móveis da época, lamparinas, imagens sacras, imagens características do candomblé, instrumentos musicais, altar em referencia aos orixás e instrumentos utilizados para a tortura dos escravos. 

 Entres os objetos expostos no Museu Afro-brasileiro, encontram-se peças como engenho de cana-de-açúcar, moinho, fazedor de algodão, tachos, carros de bois, utensílios domésticos, vestuários, móveis da época, lamparinas, imagens sacras...
 
Laranjeiras guarda em sua história e tradição muito das culturas indígena, portuguesa e negra e um dos mais ricos folclores do Brasil. São inúmeras as manifestações culturais que nos remetem ao passado e garantem, no presente, uma permanente interação entre as mais diversas comunidades responsáveis pela continuidade do folclore. São algumas das manifestações encontradas em Laranjeiras: Reisado; Taieiras; Lambe-Sujos e Caboclinhos; Cacumbi; Dança de São Gonçalo; Chegança; Samba de Coco e Quadrilhas juninas.



Textos e fotos: Eduardo Bastos

 

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