sexta-feira, 21 de maio de 2010

``A BOMBA ATÔMICA É TRISTE. COISA MAIS TRISTE NÃO HÁ``

Tempos atrás uma revista de grande circulação em nosso país realizou uma pesquisa entre seus leitores, com o objetivo de saber qual a imagem que marcou o século XX. A grande vencedora foi a de uma menina, flagrada pelas lentes de um repórter cinematográfico, quando corria nua e aos prantos no meio do asfalto, após perder seus familiares, vitimados pelos efeitos da bomba atômica que acabava de explodir no meio de sua cidade.

O resultado dessa pesquisa não fez mais que confirmar uma das características mais comum ao ser humano. Sempre que o homem, por um motivo ou outro, pára para refletir sobre seu passado, a primeira imagem que surge em sua mente diz respeito aqueles fatos que foram capazes de despertar sentimentos como desgosto e tristeza.

O lançamento da bomba atômica sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki representa o marco de maior tristeza para toda a humanidade por dois motivos muito simples. Em primeiro lugar, ele confirma a estupidez do homem em exterminar milhares de inocentes, sem que para isso houvesse qualquer justificativa. Em segundo lugar, mostrou ao mundo uma nova faceta do ser humano: sua capacidade em usar da inteligência para colocar a ciência a serviço da destruição de seus semelhantes, inclusive de seres indefesos - como crianças, idosos, etc.

Dia desses, o Jornal Nacional mostrou uma reportagem com o homem que criou a bomba atômica. Ele mostrava-se desconsolado com o uso que fora dado a sua ``grande criação``, e se dizia disposto a liderar uma grande campanha pela paz.

Para nós, resta uma resposta para uma pergunta que não quer calar. Será que esse arrependimento tardio é suficiente para devolver o sorriso aos rostos de famílias que, até hoje, choram os efeitos de uma das maiores insanidades já registradas pela história contra seres humanos?

José Eduardo Bastos

Nenhum comentário:

Postar um comentário